Fazenda Culinária promove influências étnicas na biodiversidade brasileira

Se você nunca foi ou se deseja voltar ao Museu do Amanhã, que tal empreender a odisseia ultramoderna pelo filtro de Alba Zaluar? Na visão da antropóloga, ele mudou não só o movimento da Praça Mauá como o contexto da divulgação científica. A instituição-âncora do programa municipal de revitalização da Região Portuária nasceu em 2015, numa área verde de 30 mil metros quadrados.

“O Museu veio para popularizar as descobertas científicas importantes, principalmente na área da Cosmologia e do Meio Ambiente. A instituição tem coleta de dados em tempo real sobre o clima e a população por meio de agências espaciais e das Nações Unidas. As preocupações com os recursos naturais do planeta começam a partir da própria construção do museu”, reporta Alba.

Esse é um lado pouco conhecido do público. O projeto, do espanhol Santiago Calatrava, foi inspirado nas bromélias do Jardim Botânico. O prédio não poderia ultrapassar 20 metros de altura, de modo a não afetar a visão das construções históricas no entorno. O desenho das janelas buscou enquadrar referências como o Mosteiro de São Bento, o Morro da Conceição e o edifício A Noite. A concepção sustentável incluiu a execução da cobertura por meio de aletas revestidas por painéis fotovoltaicos. Grandes estruturas de aço – à imagem de espinhas de peixe que se movem como asas segundo a direção dos raios solares – captam cerca de 10% da energia total utilizada pelo museu.

A professora chama a atenção para um importante objeto etnográfico exposto no museu: uma grande churinga feita de madeira, instrumento com significado simbólico para tribos aborígenes da Austrália. “As inscrições no objeto remetem às ligações entre o passado, o presente e o futuro, e seus desenhos se adequam à proposta da exposição principal. Um aspecto interessante é que a churinga está dentro de uma construção em forma de oca, típica de indígenas do Brasil.”

Após o tour tecnológico, vá até a Fazenda Culinária – com entrada independente do acesso principal do Museu –, um restaurante-escola que promove as influências étnicas que formam a cultura e a biodiversidade brasileiras. Com estantes cobertas por livros da gastronomia mundial, o bistrô propõe de entrada bolinho sertanejo (feijão vermelho, carne seca e queijo) e panelinha de cogumelos cremosos com tomilho e torradas de pão árabe.

De saladas, a Nossa Caesar leva gorgonzola, castanhas e tostada de pão de fermentação lenta; e a Orixás, folhas verdes, acarajé de feijão fradinho com vatapá de abóbora e vinagrete de quiabo. Entre os pratos principais, sobressaem o arroz de taioba e lulas com leite de coco e perfume de gengibre e a moqueca do ateliê (filé de peixe, banana, coco tostado, pimentões e farofa de dendê). De sobremesa, pudim da fazenda (com paçoca de amendoim) e bolinho de fubá (com caramelo de rapadura e toque cítrico). Esse aconchego de comfort food é um toque de classe para pensar com carinho no futuro.

Museu do Amanhã
Praça Mauá, 1 – Centro