Sobrado no Arco do Teles foi trampolim para o estrelato da Brazilian Bombshell

Desde que chegou de Portugal em 1909, aos dez meses de vida, Carmen Miranda residiu em vários pontos do Rio, até mesmo após estourar com sua brejeirice e balangandãs na terra do Tio Sam. De São Cristóvão, tradicional reduto dos “tugas” na cidade, a Pequena Notável foi morar com os pais num sobrado na Rua Senhor dos Passos, 59 – hoje uma loja de confecções.

De lá, migrou para um outro simpático sobradinho, na Rua Candelária, 94 (esquina do Beco do Bragança), que está bem conservado. Ali nasceu sua irmã Aurora, com quem faria uma dupla de cantoras de sucesso. Nessa casa, ao debruçar-se na sacada, Carmen, felizmente amparada pelos deuses da música, teve sua queda amortecida por um providencial rolo de fios telefônicos. Nos idos de 1915, a família aportou numa casa de vila – hoje um pequeno hotel – na Rua Joaquim Silva, 53, na Lapa.

Dez anos mais tarde, os Miranda se mudaram para o segundo andar de um sobrado na Travessa do Comércio, 13. Na época, a pequena rua colonial no Arco do Teles constituía um núcleo de imigrantes portugueses e seus comércios de secos e molhados. Na casa de quatro quartos e sala com cozinha contígua, a matriarca, Dona Maria, passou a oferecer pensão na hora do almoço.

E o que tem de ser tem muita força, como escreveu Guimarães Rosa. Eis que um dos fregueses, o jornalista baiano Aníbal Duarte, ouviu Carmen cantar. E a encaminhou ao violonista Josué de Barros, considerado seu padrinho artístico. Depois de se apresentar em estações de rádio, ela, aos 21 anos, estourou nacionalmente com “Pra você gostar de mim” (a popular “Taí”). As paredes da casa pé quente da Travessa do Comércio tremeram de felicidade. O local, hoje, virou um dos polos gastronômicos do Centro. E na antiga pensão de Dona Maria funcionou, até pouco tempo, um restaurante com a mesma vista que os Miranda desfrutavam das vielas e seus calçamentos de pedra.

Em 1931, Carmen alugou uma confortável casa em Santa Teresa, da família Peixoto de Castro, na Rua André Cavalcanti, 229, junto ao Largo dos Guimarães. Lá, recebia compositores como Assis Valente, Custódio Mesquita e André Filho. A construção segue de pé, com uma placa indicativa de que guardou a intimidade da estrela que abalaria a Broadway com seus shows brasileiríssimos.

Quatro anos depois, Carmen & Cia. se transferiram para o térreo de um edifício na Rua Silveira Martins, 20, em frente aos jardins do Palácio do Catete – hoje o Hotel Inglês. Em 1936, contratada pelo Cassino da Urca, ela comprou uma casa de seis quartos na Rua São Sebastião, 131, no mesmo bairro do cassino. Também lá há uma placa identificando a última moradia carioca da Brazilian Bombshell, que morreria aos 46 anos em Los Angeles (EUA).

Moradas de Carmen Miranda
Rua Senhor dos Passos, 59
Rua Candelária, 94
Travessa do Comércio, 13
Rua André Cavalcanti, 229
Rua Silveira Martins, 20
Rua São Sebastião, 131