Museu Universitário da PUC foi residência do patrono da arquitetura nacional

Vamos ser sinceros. Cruzar na rua com o maestro brasileiro de maior projeção internacional requer uma sorte digna de ganhador da Mega-Sena. Quando não está regendo pelo mundo ou à frente da Orquestra Petrobras Sinfônica ou da Orquestra Sinfônica de Heliópolis, em São Paulo, Isaac Karabtchevsky se encontra debruçado sobre partituras e mais partituras, recluso em seu estúdio no alto da Gávea.

Ali o maestro comprou uma residência, do pianista Bené Nunes, em 1975. “Ainda era uma área com resquícios da origem rural. Tanto que, por incrível que pareça, Canto e Mello, então dono das Óticas Fluminenses e meu vizinho no topo da rua, costumava descê-la de charrete, ao lado da esposa. E seguiam, na maior tranquilidade, passeando pela Marquês de São Vicente”, lembra Karabtchevsky. Do seu recanto em “clima de serra, rodeado de pássaros e com a vista das pedras do Maciço da Tijuca”, ele só sai para outro refúgio – o sítio em Petrópolis.

“Mas, por falar na Marquês de São Vicente, não posso deixar de citar o Solar Grandjean de Montigny – na mesma rua –, remanescente daquela ambiência de chácaras que caracterizou a formação do bairro, a partir dos anos 1830. Em meio ao magnífico conjunto de árvores seculares do entorno, cortado pelo Rio Rainha, o Solar é um exemplo bem-sucedido de adaptação de um modelo residencial europeu, com estrutura neoclássica, às condições tropicais no século XIX”, comenta.

August Grandjean de Montigny chegou à cidade em 1816, integrando a Missão Artística Francesa, comitiva trazida por D. João VI para desenvolver a cultura brasileira. O já premiado arquiteto desembarcou aqui com a incumbência de projetar a sede da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, depois denominada Academia Imperial das Belas Artes e, hoje, Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Tornou-se o patrono da arquitetura no Brasil, construindo na Gávea, em 1823, a casa onde morou até morrer.

A residência, retratada por Debret, apresenta nítidas inclinações europeias. Isso se evidencia pelo compartimento circular que marca o eixo aos fundos – com as pilastras da entrada encimadas por um pequeno frontão. Tombada pelo Iphan como monumento nacional em 1938, passou por diversos donos, até que, 13 anos depois, a PUC-Rio adquirisse aquele loteamento. O casarão funcionou como sede administrativa do campus até 1980, quando, após um processo de restauro, deu lugar ao Solar Grandjean de Montigny.

O centro cultural interconecta o espaço acadêmico e a comunidade, promovendo exposições e atividades artísticas para incentivar, em especial, o conhecimento acerca do Rio de Janeiro. O também chamado Museu Universitário trouxe uma grande novidade em junho deste ano: a abertura ao público da Biblioteca Irma Arestizábal. O acervo teve início com a coleção pessoal de livros sobre história da arte da ex-diretora do Solar. Vai dizer que não é um programa batuta?

Solar Grandjean de Montigny
Rua Marquês de São Vicente, 255 – Gávea
Tel.: (21) 3527-1435