Residência do aristocrata em Santa Teresa exibe coleções de arte raras

Filho do eminente engenheiro ligado ao Imperador D. Pedro II e vice-cônsul brasileiro em Paris, Raymundo de Castro Maya, e de Theodozia Ottoni, descendente de uma tradicional família de intelectuais liberais, Raymundo Ottoni de Castro Maya nasceu na Cidade Luz, em 1894. E foi em Santa Teresa, a chamada Montmartre carioca, que o também industrial, fundador de várias sociedades culturais e coordenador da urbanização da Floresta da Tijuca, faleceu, em 1968.

Boa parte do prodigioso legado artístico do aristocrata se concentra no Museu da Chácara do Céu, na casa onde morou em Santa, com amplos jardins e uma linda vista para a Baía de Guanabara. No hall de entrada, está a exposição permanente de arte brasileira, formada por obras dos modernistas Di Cavalcanti, Guignard, Pancetti, Portinari e Volpi, além de nomes como Antônio Bandeira, Iberê Camargo e Manabu Mabe.

O andar de cima guarda os dois ambientes originais da antiga residência – a sala de jantar e a biblioteca. Nesta, encontram-se livros raros, que podem ser consultados mediante agendamento prévio. E, também, peças do conjunto de arte moderna europeia, iniciado em fins do século XIX, quando seu pai arrematou num leilão parisiense telas dos paisagistas Belangé, Courbet e Rousseau. A sala de jantar exibe peças de mobiliário e elementos decorativos de diferentes períodos e origens, enquanto o jardim de inverno abriga mostras temporárias.

No hall do último pavimento, destacam-se obras da coleção Brasiliana. Executadas por estrangeiros, elas abrangem cerca de 1.700 imagens, cobrindo 400 anos de história do nosso país. Vão de cartas cartográficas e telas a óleo do início do século XV; passando por publicações escritas pelos viajantes que aqui estiveram no século XIX; até uma importante série de desenhos, aquarelas, guaches e gravuras, sobressaindo-se as do francês Jean Baptiste Debret. No antigo quarto de hóspedes, figura a outra parte do conjunto de arte brasileira, incluindo uma seleção do acervo popular, construído a partir de 1950, com a aquisição de um lote de exemplares de Mestre Vitalino.

Os aposentos de vestir e dormir do patrono constituem os demais espaços de mostras temporárias, como trabalhos dos artistas do projeto “Os amigos da gravura”, criado em 2016. Desde outubro último, está em cartaz a exposição “Mundo”, dedicada ao público infanto-juvenil e que pode ser vista até 16 de março do próximo ano. O museu promove visitas guiadas e atividades educativas voltadas a escolas das redes pública e privada.

Em 2009, com apoio do BNDES, Petrobras e Fundo Nacional de Cultura, iniciou-se a construção do prédio anexo, incluindo auditório e cafeteria. As obras estão em sua última etapa e englobam a execução de um plano inclinado até o pilotis. O novo acesso permitirá a entrada de visitantes sem a necessidade de percorrer o trajeto em aclive atualmente exigido aos pedestres. Um motivo adicional para subir ao céu da arte.

Museu da Chácara do Céu
Rua Murtinho Nobre, 93 – Santa Teresa
Tel.: (21) 3970-1093