E o barquinho vai… deslizando no macio verde do Pantanal Carioca

Era uma vez um estúdio de som que ficava no já movimentado centro da Barra da Tijuca, vizinho à sede da Polygram, 20 anos atrás, o qual virou praticamente um posto avançado da então gravadora major brasileira. Tranquilão toda vida, seu dono andava apoquentado. “Acabávamos recebendo um grande número de pessoas que estavam gravando lá e vinham só dar uma passadinha. Virou um entra e sai danado, atrapalhando terrivelmente o andamento do nosso trabalho”, narra o ex-proprietário, Roberto Menescal.

Poderoso diretor artístico da própria Polygram (hoje Universal) de 1970 a 1986 e um dos baluartes da Bossa Nova, ele matutou: “Vou procurar um local para instalar o estúdio onde se chegua apenas com hora marcada”, brinca o parceiro de Ronaldo Bôscoli em “O barquinho”. Esta música, a propósito, nasceu da paixão de Menescal por velejar, prática que o levou a descobrir lugares pouco explorados no Rio.

“Quando eu tinha barco, passeava pelo Arquipélago da Lagoa da Tijuca, na Barra, composto por sete ilhas. Um dia, meu filho mencionou que em uma delas, a da Pesquisa, havia somente três casas – o maior sossego. Resolvi construir o novo estúdio ali. Foi complicado, porque todo o material da obra precisava ser transportado por balsas. Mas valeu a pena: o Albatroz está próximo a tudo e, ao mesmo tempo, é bastante reservado.”

Camuflada pelos altos edifícios do bairro, a linda região, na qual não circulam automóveis, permanece desconhecida até da maioria dos cariocas. Que tal ver de perto jacarés, capivaras e uma diversidade de pássaros em meio à vegetação abundante e ao silêncio, só quebrado pelo barulhinho bom dos motores das chalanas? Elas partem de um píer na altura da Avenida Armando Lombardi, 350 e fazem o circuito das ilhas. Deixe o carro no estacionamento ao lado do píer. Outra opção é ir de metrô até a Estação Jardim Oceânico, que fica em frente ao embarque. Depois, tome seu “uber-barco”. Simples assim.

Após a jornada aquaviária, caminhe pelas ruelas de pedra ou terra batida da Ilha da Gigoia, a principal do arquipélago, onde existem pousadinhas simpáticas e até um hostel. E, ainda, um polo gastronômico que inclui o Bar do Galego – na área há três décadas – e os restaurantes Laguna (peixes e frutos do mar) e Capriccio (massas e carnes). Com deck próprio, o Venne Gastronomia Mediterrânea se destaca pelo amplo espaço ajardinado.

Numa espécie de lounge à sombra das árvores, nada melhor que contemplar o visual relaxante em torno de bolinhos de risoto ou lulas crocantes.

“Às vezes, também encomendamos comida no Ettore, o italiano que funciona há quase 40 anos no Condado de Cascais, no continente. Costumo levar gente de fora, principalmente japoneses, a passear pelo chamado Pantanal Carioca. No intervalo das gravações, para refrescar, fazemos um tour pelas ilhas. Gosto de trabalhar bem tranquilo”, frisa nosso eterno blue eyes. E o barquinho vai…

Arquipélago da Lagoa da Tijuca
Acesso pelo píer na altura da Avenida Armando Lombardi, 350