Acervo em Santa Teresa reflete a história contemporânea latino-americana

Ele só pensava naquilo. Passou a vida como antropólogo debruçado sobre as questões brasileiras e, como político, matutando projetos de educação de qualidade em tempo integral nas escolas públicas. Na Fundação Darcy Ribeiro (FunDar), criada pelo então senador em 1996 na bucólica Santa Teresa, é possível mergulhar de cabeça no universo intelectual do grande “fazedor” mineiro. A instituição cultural, de pesquisa e desenvolvimento científico visa preservar e dar continuidade ao ideário do grande humanista, disponibilizando o acesso a todo o seu acervo documental.

Os astros da casa – dirigida pelo sobrinho Paulo Ribeiro – são os cerca de 30 mil itens dos arquivos pes­soais
de Darcy e sua primeira esposa, a também antropóloga Berta Gleizer, acumulados em mais de meio século. O valioso conjunto, incluindo textos inéditos, originais de livros, manuscritos, correspondências, fotografias, obras de arte e mobiliário, reproduz um amplo panorama da história contemporânea nacional e latino-americana.

O vasto patrimônio bibliográfico agrupa 22 mil títulos, especialmente nas áreas de educação, literatura, antropologia, etnologia indígena e meio ambiente. E inclui a Biblioteca Básica Brasileira (BBB), uma iniciativa concebida pelo professor ainda em 1962 – ao assumir a reitoria da Universidade de Brasília –, no propósito de oferecer à população um conhecimento mais aprofundado sobre a história do País.

No ano seguinte, como ministro da Educação, ele viabilizou a publicação dos dez volumes iniciais da Biblioteca, de um total de 100, considerados fundamentais para a compreensão da vida nacional. O primeiro, “América Latina: a pátria grande”, trazia ensaios em torno da identidade do continente e a necessidade de sua integração. O regime militar interditou o andamento do projeto, só retomado em 2012, quando o professor – morto em 1997 – completaria 90 anos de idade. Já foram distribuídos gratuitamente exemplares a 50 mil estabelecimentos de ensino médio.

Os quase 900 m2 de área construída da Fundação compreendem 20 salas de trabalho e auditório multimídia – há seminários, palestras e cursos para atualização de professores das redes pública e privada. É tocante sentir a onipresença do homem que pensava e falava aos borbotões, formulador do Parque Indígena do Xingu, pai dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL). Imortal mesmo. O autor de “Utopia selvagem” continua vivíssimo, como ele próprio ensinou: “Presente, passado e futuro? Tolice. Não existem. A vida vai se construindo e destruindo. O que vai ficando para trás com o passado é a morte. O que está vivo vai adiante.” A FunDar endossa.

Fundação Darcy Ribeiro (FunDar)
Rua Almirante Alexandrino, 1.991 – Santa Teresa
Tel.: (21) 2509-3776