O cantinho da Colônia dos Pescadores emoldurava o romance com Vinicius

Quando o Rio completou 400 anos, Gilda de Queirós Mattoso recebeu um certificado de descendente dos fundadores da cidade. Não é para qualquer um – bem como poucos guardam o privilégio de um convívio tão intenso com os maiores personagens da nossa MPB. Com o nome de batismo por causa do famoso filme estrelado por Rita Hayworth, Gilda começou a trabalhar em assessoria de imprensa com boa parte deles quando foi estudar na Universidade de Perúgia, em meados da década de 70.

Por lá, conheceu o empresário italiano Franco Fontana, que produzia shows na Europa envolvendo artistas de diversas nacionalidades. “Junto a ele, me aproximei de muitos de meus ídolos – Chico Buarque, Gal Costa, Tom Jobim, Caetano Veloso, Maria Bethânia, entre outros – e encontrei o maior de todos, Vinicius de Moraes.” Resumo do samba-canção: voltou ao Brasil casada com o poeta, após uma temporada em Paris, sendo sua musa até o fim. Os dois foram morar numa casa na Gávea, de onde saíam para curtir o Rio.

“De tantos e tão lindos lugares de nossa cidade maravilhosa, um me fala ao coração de modo especial: o Posto 6. Sou nascida e criada em Niterói, e, como toda menina classe média dos anos 60, Copacabana exercia um enorme fascínio sobre mim, sempre embalada ao som da recém-nascida Bossa Nova. Em 1967, uma de minhas irmãs se casou e foi viver justamente no Posto 6, onde nasceram seus dois filhos. E eu ia à praia com eles ali: banhos de mar inesquecíveis e uma vista de tirar o fôlego”, relembra.

Anos depois, já casada com Vinicius, Gilda descobriu que o compositor também gostava daquele cantinho. “De vez em quando, íamos comer no nosso restaurante favorito, o Concorde, na Praça General Osório. Passávamos pelo Posto 6, bem perto, e sentávamos num banco para namorar, sentir a brisa do mar e apreciar a vista. Não dá para esquecer o enquadramento da Colônia dos Pescadores, com seus barquinhos coloridos, suas redes sob as frondosas amendoeiras. Lindo de morrer!”

Ela arremata a pintura: “Para celebrar meus 50 anos, escolhi o Clube Marimbás, que também fica ali e é, ao lado do Instituto Cultural Cravo Albin, o lugar mais bacana para festas da cidade. Fechando as belezas desse recanto da praia, ainda temos a coroar todo o Forte de Copacabana, com vários eventos interessantes abertos ao público. Salve o Posto 6, pois ali viveram Drummond e Caymmi, ambos eternizados em estátuas naquela orla!” E por falar em saudade, nada melhor do que ficarmos com os versos de Vinicius: “ Tu, Copacabana / Mais que nenhuma outra foste a arena / Onde o poeta lutou contra o invisível / E onde encontrou enfim sua poesia.”

Posto 6
Avenida Atlântica, entre as Ruas Francisco Otaviano e Sá Ferreira