Comunidade quilombola resgata cultura africana na Zona Oeste

Das mais de 1.500 comunidades quilombolas reconhecidas pelo governo federal no país, apenas quatro ficam no Rio. Uma delas é o Quilombo do Camorim, no Parque Estadual da Pedra Branca, Zona Oeste da cidade. O local foi reconhecido este ano como Sítio Arqueológico do Engenho do Camorim pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), uma conquista das lideranças quilombolas da região.

Nesse cenário, a Associação Cultural do Camorim (Acuca) busca resgatar a história dos ancestrais que ali viveram há quase quatro séculos, a partir de atividades diversas – caminhadas ecológicas, oficinas de danças e capoeira, ações sociais e eventos culturais. Uma das programações de maior sucesso é a festa do Dia do Jongo, ritmo originário da região africana de Congo-Angola, que chegou ao Brasil Colônia pelos negros trazidos como escravos.

O território guarda importantes sítios arqueológicos, onde já foram resgatados milhares de fragmentos datados do século XVII. Lá, é possível percorrer trilhas com as grutas que abrigaram os negros e o Açude do Camorim, onde pescavam e se banhavam. Os vestígios de seus esconderijos (pequenas cavernas, formações rochosas e casas de pau a pique) estão por toda a floresta na rota para a Pedra do Quilombo, um pico que servia como ponto de vigilância à comunidade. Essas trilhas também fizeram parte do caminho dos fugitivos.

A Capela São Gonçalo do Amarante, construída em 1625 pelos escravos, preserva muito de sua estrutura original e, em 1965, foi reconhecida pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro como marco histórico. Ao lado da igreja branca e azul celeste, existe um cemitério em que se encontram ossadas de africanos. A senzala, num terreno próximo, mantém um pouco de suas características primitivas, apesar de ter sido alterada pelos moradores ao longo dos anos.

A história do Camorim – espécie de peixe que era capturada na Lagoa de Jacarepaguá – remonta à época da tribo Tupi-Guarani, que habitava a região antes da colonização portuguesa no Brasil. Salvador Correia de Sá, primo do governador Mem de Sá, ao reivindicar a área para instalar seu engenho de cana-de-
açúcar, manteve o nome indígena.

Quilombo do Camorim
Estrada de Camorim, 922 – Jacarepaguá
Tel.: (21) 98163-3792