Espaço artístico na Gamboa conserva a memória de seu passado portuário

O Centro Cultural Armazém da Utopia ocupa o galpão 6 do Cais do Porto, integrante de um conjunto arquitetônico que ficou desativado por quatro décadas. A região foi redescoberta com a derrubada do Viaduto da Perimetral e a criação do Boulevard Olímpico, em 2016. A arquitetura singular marcada pela estrutura original em aço e pelas paredes de tijolo aparente preserva a memória do seu passado portuário.

O galpão de cinco mil metros quadrados sedia múltiplos eventos, como o Festival do Rio, o Rio H2K e o Tudo é Jazz no Porto, além de outras produções nas áreas de música, dança e artes visuais. E já recebeu mais de 300 mil visitantes desde a inauguração, em 2010, sob a gerência do Instituto Ensaio Aberto. A companhia dirigida por Luiz Fernando Lobo, fundada em 1992, se propõe a retomar o teatro épico no Brasil. O conceito criado por Bertold Brecht teve origem na Rússia, após a Revolução de 1917, e na Alemanha, durante o período da República de Weimar, de 1919 a 1933.

Um dos espetáculos montados este ano no Armazém foi “Que tempos são esses?”, em torno da obra brechtiana. Em linha com o pensamento do dramaturgo alemão – “em nosso teatro não existem espectadores atrasados”, dizia ele –, ao longo das quatro horas e meia da peça, as pessoas podiam chegar e sair quando bem quisessem da plateia. Em 2016, o espaço recebeu as apresentações do grupo teatral catalão La Fura dels Baus.

Desde março de 2017, o prédio passou a exibir, em sua fachada, um conjunto de murais de grafite, que consiste em releituras das obras do pintor francês Jean Baptiste Debret, retratando a escravidão. Foram também instalados murais compostos por ladrilhos pintados à mão por alunos e professores de instituições da rede municipal de ensino do Rio. O Armazém é de fácil acesso: fica no finalzinho do Boulevard Olímpico, em frente à Estação Parada Utopia do VLT.

Armazém da Utopia
Rua Rodrigues Alves, 299 – Cais do Porto, Armazém 6 – Gamboa
Tel.: (21) 2516-4857