Ilha das Cobras abriga Museu dos Fuzileiros Navais e capela construída no século XVIII

Atire a primeira bala de canhão aquele que já pôs os pés nas instalações do Museu dos Fuzileiros Navais. Situado no interior da Baía de Guanabara, o quase desconhecido complexo formado pelo Forte Agostinho, a Fortaleza de Santa Margarida e a Fortaleza Pau da Bandeira foi denominado, em 1761, Fortaleza de São José da Ilha das Cobras. Os calabouços da edificação ficam abertos a visitas.

Os portugueses ergueram diversas fortificações na Ilha das Cobras, por considerá-la um ponto estratégico na defesa da cidade. O local pertence à Marinha desde a época em que se fazia o escoamento do ouro das Minas Gerais pelo Rio de Janeiro, no século XVIII. Do lado de fora, canhões antigos apontam para a boca da Baía. Os caminhos de pedra nos calabouços carregam os séculos de história pelos quais o espaço resistiu. São dois túneis subterrâneos, construídos para servir de ligação segura entre as fortalezas. Neles estão expostos medalhas, documentos, pratarias, material arqueológico, fotografias, equipamentos e armamentos.

Uma mostra permanente conta a participação do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) nos eventos ligados à formação da nacionalidade e do Estado brasileiro. Estão em exibição ainda obras de arte, esculturas, pratarias, maquete da ilha em 1736, miniaturas e acervo de ex-comandantes-gerais.

No museu a céu aberto, o visitante terá contato com viaturas operativas, canhões, metralhadoras e motocicletas usados pela corporação. Há, também, uma escavação arqueológica, na qual se pode observar o monumento aos Fuzileiros Navais mortos em combate e parte do contraforte da muralha da fortaleza. Nela, foram recolhidos, em 1789, os presos da Inconfidência Mineira, entre os quais Tiradentes. O mártir ficou preso na Ilha das Cobras até 20 de abril de 1792, quando ocorreu sua transferência à Cadeia Pública da cidade, de onde partiu para ser executado, por enforcamento, na praça que hoje leva o seu nome.

Outro segredo da Ilha das Cobras está na Capela de São José, construída na primeira década do século XVIII e inserida no corpo do Hospital Central da Marinha. A edificação original – da qual só resta a fachada, com um portal de pedra lioz, tipo de calcário oriundo de Portugal – foi erguida pelos monges beneditinos, responsáveis também pelo Mosteiro de São Bento, que fica logo ali ao lado. Vale, portanto, conciliar um passeio duplo!

Museu dos Fuzileiros Navais
Terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h30 às 16h
Acesso: no final da Rua Primeiro de Março, entrar na área do 1o Distrito Naval, atravessar a ponte Arnaldo Luz, subir pelo elevador do Hospital Central da Marinha e dirigir-se ao Batalhão Naval. De carro, entrar pelo portão do Arsenal de
Marinha do Rio de Janeiro
Tel.: (21) 2126-5035