Sobrado do século XIX na Gamboa cultua rodas de samba, choro e jongo

Portais de cantaria na entrada, pé-direito de 13 metros, parede de pedra revestida com óleo de baleia, piso de ladrilho hidráulico, grades de ferro fundido e telhas francesas. Nesse cenário retrô, o Trapiche Gamboa, instalado num amplo sobrado de 1857, virou referência de rodas de samba como a dos antigos terreiros da cidade. Lá se apresentam também bambas do choro e do jongo, outros gêneros que marcam a tradição musical do Rio.

O “trapiche” no nome se deve à crença de que, durante o império, o espaço funcionou como armazém geral, estocando os produtos que aportavam na Rua da Praia, atual Sacadura Cabral. A localização já dá o tom da casa – na Gamboa, berço do samba e vizinha de outros redutos do ritmo, como a Pedra do Sal, a Ladeira do Valongo e o Largo da Prainha. A edificação rústica de três andares, que mantém as belas características arquitetônicas originais do século XIX, atrai cariocas da gema e turistas que desejam curtir um bom som ao vivo, com craques como, por exemplo, o violonista Paulão 7 Cordas, diretor musical da banda que acompanha Zeca Pagodinho. A programação varia conforme os dias da semana, com os músicos informalmente posicionados em torno de uma mesa central.

No segundo andar, um mezanino cria o ambiente ideal para um bate-papo, ao mesmo tempo em que se avista o que está rolando embaixo, no salão de shows. Já no último pavimento, que pode ser reservado para grupos grandes, há uma varanda convidativa para os que querem desfrutar do ar fresco da noite, com um barzinho à disposição. Nos copos dos frequentadores, reina a imbatível cerveja gelada, com opções para todos os gostos e bolsos, escoltada por belisquetes, como caldinho de feijão bem temperado, bolinhos de aipim com camarão e porção de moela.

Trapiche Gamboa
Abertura da casa: segunda a quinta, às 18h30; sexta, às 19h30; e sábado, às 20h30
Rua Sacadura Cabral, 155 – Saúde
Tel.: (21) 2516-0868