Sede da Maçonaria foi frequentada por grandes nomes do Império e da República

A imponente edificação em estilo neoclássico com três andares e janelas enfileiradas chama a atenção de quem passa por uma das mais conhecidas ruas da Lapa. É o Palácio Maçônico do Lavradio, sede histórica do Grande Oriente do Brasil. A narrativa do casarão rosa se inicia no século XIX, quando o artista português Vitor Porfirio Borja começou a construir um teatro para competir com o João Caetano, ali pertinho, na Praça Tiradentes.

Por falta de recursos, o projeto não foi finalizado, e o prédio acabou vendido. Na década de 1840, várias lojas maçônicas fluminenses se uniram e resolveram formar a Companhia Glória do Lavradio para financiar a compra do imóvel, que sofreu adaptações para abrigar a sociedade.

Um dos principais elementos do frontispício traz um grande pelicano no topo, abrindo com o bico ferida na própria pele para extrair sangue e, assim, alimentar os sete filhotes no ninho. A imagem do animal que se mutila para nutrir suas crias espelha um símbolo cristão do amor paternal, identificado com o sacrifício do próprio Cristo. Outra associação é a chaga aberta, local de onde vertem as bebidas da vida, a água e o sangue.

Na parte interna, há um museu com quadros, esculturas e documentos relacionados à sociedade. No corredor de acesso, estão expostas pinturas que retratam diversos personagens da história e, em outra passagem, peças como ornamentos e aventais pertencentes a cada um deles. A biblioteca guarda um variado acervo, com destaque para uma Bíblia de 1555, escrita em aramaico e doada a D. Pedro II pelo escritor Victor Hugo, por ocasião da visita do Imperador à França.

O local não é aberto à visitação pública (apenas para maçons e convidados), mas a arquitetura pode ser apreciada por quem passa pela Rua do Lavradio.

Palácio Maçônico do Lavradio
Rua do Lavradio, 97 – Lapa